Por milhares de anos, os humanos encararam os sonhos como místicos, uma espécie de janela para a essência de nosso ser.
Supostamente, inspiraram grandes obras literárias, como o "Médico e monstro", avanços na ciência, e sucessos, como a musica dos Stones "I Can't Get Satisfaction".
Em minha concepção, sonhar era como atravessar um oceano de possibilidades no universo, em meio a um festival de neurônios tagarelando. E de repente, toda magia acontecia, eu não inventava aqueles sonhos, eu vivenciava cada um deles enquanto dormia.
Certa vez, li em um artigo que, à noite quando o espirito abandona seu corpo adormecido e contempla diretamente as paisagens ou acontecimentos no mundo astral, sua compreensão psíquica o capacita a fixá-lo em suas cores correspondentes, mas isso não ocorre quando há emersão de memoria astral, cujas as imagens, então, se apresentam em preto e branco. Em geral, 12% da população do mundo sonha apenas em preto e branco.
Em uma das minhas viagens ao mundo dos sonhos, contemplei o universo acinzentado, estava em uma floresta com um pequeno riacho de águas límpidas e cristalinas, as imagens daquele universo chegavam a mim como um filme antigo, em tons RGB acinzentado. Observei o céu e vi chaves individuais florescentes, presas em cordões transparentemente que desapareciam em meio as nuvens.
Então, sentei próximo ao riacho. A forma como eu visualizava aquele cenário era como usar um óculos de realidade virtual , eu podia ver meus pés descalços e minhas mãos, porém como uma consciência artificial, eu não estava fisicamente lá.
E senti alguém se aproximar e sentar ao meu lado, então olhei e percebi que era ele, Sam Tyler, invadindo meus sonhos, e no impulso perguntei:
-Por que tudo está cinza? porque você esta tão diferente do que realmente é?
Pode parecer estranho, mas estava me habituando com a presença de Sam em meus sonhos, pois não lembrava dos recalques e ecos de aflição de sonhos anteriores.
- Agora você pode ver o que eu vejo, isto é o meu mundo, não há cor, mas... me sinto um pouco daltônico por que vejo cores em você... Respondeu-me como se eu fosse uma visitante inesperada e continuou:
-"Aqui, somos almas viventes, eu não estou diferente do que sou, apenas pode me ver como sou realmente, almas não envelhecem, assim como eu posso ver como você é realmente".
É um fato interessante, pois nunca parei para pensar em minha aparência nos sonhos, e percebi que aquele sonho não pertencia a mim, eu estava sonhando o que ele sonhava em seu universo. Então ele apontou em direção as chaves dizendo:
- "Escolha qualquer uma delas, em qualquer lugar a linguagem da alma é universal, e chegará o dia que você vai entender o propósito".
Era como se as chaves dançassem no ar ao som da melodia mais bela, e ao escolher minha favorita eu disse:
-"O dia que eu entender, não nos reconhecermos mais". e como o vento, desaparecemos igual um fantasma daquele mundo sem cor.
Talvez exista um universo paralelo de pessoas reais, mundos aos quais os fatos históricos não foram necessariamente idênticos aos do nosso mundo, em algum ponto exista alguém chamado Sam, cuja a vida poderia ser vivida por alguns de meus sonhos ou mesmo o inverso. Eu sabia que mesmo sendo de Mundos diferentes estávamos conectados por algum propósito. E entre 12% da população mundial lá poderia estar ele, com a respostas dos meus sonhos.