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18 de abr. de 2026

O homem Mondasiano parte I (O despertar)




Os sonhos põem-nos em relação com um mundo misterioso
 ou um futuro que quase sempre permanece desconhecido para nós



A alma humana é uma porta de acesso ao nosso subconsciente, o psicólogo "Jung" afirmava em sua psicologia analítica, que, até que o inconsciente se faça consciente, o subconsciente continuará a dirigir a nossa vida, no qual atribuímos o nome de destino. 



Os sonhos são o cordão umbilical que nos liga a um mundo arcaico, um futuro que pulsa no escuro, esperando para ser vivido. Carl Jung já nos advertia: enquanto você não tornar o inconsciente consciente, ele guiará sua vida e você o chamará de destino.

Dentro de cada um de nós, habita um Estrangeiro. Ele não usa nossas máscaras sociais, não se importa com nossa ética diurna e nos enxerga com uma clareza aterrorizante. Ele é o diretor de um teatro onde somos, ao mesmo tempo, o protagonista e o público. Voltar ao mundo dos sonhos não é apenas dormir; é acender uma lanterna em uma catedral abandonada e descobrir que as estátuas se movem quando não estamos olhando.

O cenário do meu último mergulho era o fim de tudo.

A cidade desmoronava sob um céu sem estrelas, sufocada por uma neblina que parecia feita de cinzas e memórias esquecidas. O frio não estava no ar, estava dentro dos meus ossos. Subi ao topo de um edifício ancestral, cujas paredes suavam uma solidão palpável. Eu buscava alguém. Qualquer um.

Ao entrar no apartamento da cobertura, o silêncio era interrompido apenas pelo estalar das chamas que lambiam o horizonte. Sobre as mesas, pilhas de papéis, mapas e diagramas obsessivos. Eu li a palavra. Estava em todo lugar, escrita com uma caligrafia que me parecia estranhamente familiar: MONDAS.

O nome vibrava na minha mente como um sino fúnebre. Eu não sabia o que era Mondas, mas minha alma já pedia perdão por pertencer a esse nome.

— Mondas nunca irá te perdoar — a voz emergiu das sombras, arrastada, carregada de um peso secular. — Especialmente agora, depois de descobrir que você se conectou a ele há muito tempo.

Meu corpo gelou, mas minha voz saiu imponente, uma armadura de negação: — Eu o quê? Você está louco! Apareça! Se tiver coragem, mostre o rosto ou...

Avancei em direção à penumbra, onde apenas o brilho de sapatos lustrosos refletia a luz do incêndio lá fora. Tentei um golpe, um tapa que cortasse aquela audácia, mas ele foi mais rápido. O aperto no meu pulso foi real. Senti o calor da pele dele, a pressão dos tendões, uma força que nenhum sonho deveria ter o direito de simular.

— Você cortaria minha língua e arrancaria meus olhos? — ele sussurrou, a voz agora perigosamente perto do meu ouvido. — Creio que não seria tão autodestrutiva. E eu... eu certamente não seria.

— Me solta! — gritei, meu coração martelando contra as costelas como um animal enjaulado. — O que você quer?


Ele torceu meu braço com uma delicadeza cruel, empurrando-me em direção à luz que vinha da janela. Um sorriso irônico dançava em seus lábios antes mesmo de eu ver seus olhos.

— Eu adoro atuar — ele disse, a ironia escorrendo como veneno. — E você, Ellen? Ainda gosta de atuar para o mundo?

Quando a luz finalmente revelou seu rosto, o chão sob meus pés pareceu evaporar. Eu o conhecia. Eu o conhecia melhor do que a mim mesma.

— Atuar é necessário, principalmente quando se é o inconsciente de alguém — ele fez uma reverência teatral, os olhos brilhando com uma lucidez maníaca. — Olá, Ellen. Eu sou Sam Tyler. E estou muito preocupado com o meu futuro... digo, com o nosso futuro. Mas chega de drama! Vem, vamos dançar? Me dá um beijinho...

Ali, frente a frente com Sam, a arquitetura da minha lógica ruiu. As linhas temporais se enroscaram como fios de uma teia arrebentada. Eu não sabia mais onde terminava a mulher e onde começava o monstro, pois ele não estava mais apenas me observando.

Sam Tyler agora estava no controle das nossas emoções.


CONTINUA...














18 de nov. de 2019

A Viagem do Sonho

Viajar, Tumblr, Digital, Ilustração, Menina, Garota

Não há nada como um sonho para criar o futuro.


Com a oração da noite,
Quando o sol declina e se esconde,
Fecha-se a via dos sentidos
E abre-se o caminho ao não-visto.


O anjo do sono conduz então os espíritos
Como o pastor o seu rebanho.
Para além do espaço, em pradarias transcendentes,
Que cidades, que jardins ele nos mostra!

Quando o sono nos rouba a imagem do mundo,
O espírito contempla mil formas e maravilhas.
É como se habitasse desde sempre essas paragens,
Já não recorda a vida na terra,
Nem sente cansaço ou tristeza.

O coração liberta-se por inteiro
Do peso do mundo, de toda opressão,
E já nem percebe os cuidados que lhe são dedicados.

12 de nov. de 2019

"Se você sonhar, poderá sacudir o mundo, pelo menos o seu mundo"

“Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono.”

– William Shakespeare. A Tempestade. Ato IV, Cena I


Apesar de ter um talento nato em sonhar com os universos paralelos, em algumas noites os sonhos pareciam confusos e fragmentados.
Nem sempre Sam estava lá, e muitas vezes visualizava personagens e lugares que havia encontrado em meu mundo real.
Para muitos os sonhos possuem significado e uma tese ousada. Na Antiguidade, muitos povos pensavam que o sonho tinha significado e alguns sujeitos especiais, como profetas ou sacerdotes, tinham a habilidade de transcrever a mensagem em uma linguagem compreensível. Com o surgimento da ciência moderna, a nossa cultura ocidental foi cada vez mais desvalorizando esta tese. O sonho se transformou em uma banalidade, em um absurdo, em algo sem lógica e sem sentido.
Apenas com a obra de Freud, "A Interpretação dos Sonhos", os sonhos voltaram a ganhar importância no conhecimento que cada sujeito tem de si mesmo. Ainda assim, muitas e muitas pessoas continuam acreditando que os sonhos são destituídos de sentido.
Para Carl Gustav Jung, “O sonho é, conforme sabem, um fenômeno natural. Não é fruto de uma intenção. Não podemos explicá-lo a partir de uma psicologia que provém da consciência. Trata-se de um modo específico de funcionamento que não depende da vontade e do desejo, da intenção ou do objetivo do Eu Humano. É um acontecimento não intencional, assim como todos os acontecimentos da natureza”.
A cada sonho comecei a aprender um pouco mais sobre o que eu era, e com a teoria de Jung, compreendi que meus sonhos seriam a maneira que o inconsciente encontrou para enviar mensagens, servindo de ponte entre os processos conscientes e não-conscientes e mantendo o equilíbrio da mente, isto é, meu inconsciente era Sam Tyler.
E compreendia que a cada história vivida naqueles sonhos, era algo maior, não eram desejos superficiais. Eram como bússolas do coração, a caminho de projetos de vida. 
John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Vivenciar aqueles mundos noite após noite, me ensinava a romancear com a própria vida, e aos poucos deixava de ser uma miserável no território das emoções.
Ao mapear estes mundos, comecei a libertar minha criatividade. Poderia sonhar com as estrelas no céu, e pisar na Lua, poderia voar pelo o universo e escalar montanhas, e caminhar sem medo por vales e caminhos desconhecidos.
Apesar de meus defeitos na realidade em que vivo, em meus sonhos eu sou como uma pérola única no teatro da vida.
Sonhar renova a esperança quando o mundo desaba sobre nós.

4 de nov. de 2019

O Colorido do Preto e Branco






Por milhares de anos, os humanos encararam os sonhos como místicos, uma espécie de janela para a essência de nosso ser.
Supostamente, inspiraram grandes obras literárias, como o "Médico e monstro", avanços na ciência, e sucessos, como a musica dos Stones "I Can't Get Satisfaction".
Em minha concepção, sonhar era como atravessar um oceano de possibilidades no universo, em meio a um festival de neurônios tagarelando. E de repente, toda magia acontecia, eu não inventava aqueles sonhos, eu vivenciava cada um deles enquanto dormia.
Certa vez, li em um artigo que, à noite quando o espirito abandona seu corpo adormecido e contempla diretamente as paisagens ou acontecimentos no mundo astral, sua compreensão psíquica o capacita a fixá-lo em suas cores correspondentes, mas isso não ocorre quando há emersão de memoria astral, cujas as imagens, então, se apresentam em preto e branco. Em geral, 12% da população do mundo sonha apenas em preto e branco.
Em uma das minhas viagens ao mundo dos sonhos, contemplei o universo acinzentado, estava em uma  floresta com um pequeno riacho de águas límpidas e cristalinas, as imagens daquele universo chegavam a mim como um filme antigo, em tons RGB acinzentado. Observei o céu e vi chaves individuais florescentes, presas em cordões transparentemente que desapareciam em meio as nuvens.
Então, sentei próximo ao riacho. A forma como eu visualizava aquele cenário era como usar um óculos de realidade virtual , eu podia ver meus pés descalços e minhas mãos, porém como uma consciência artificial, eu não estava fisicamente lá. 
E senti alguém se aproximar e sentar ao meu lado, então olhei e percebi que era ele, Sam Tyler, invadindo meus sonhos, e no impulso perguntei:  
-Por que tudo está cinza? porque você esta tão diferente do que realmente é?   
Pode parecer estranho, mas estava me habituando com a presença de Sam em meus sonhos, pois não lembrava dos recalques e ecos de aflição de sonhos anteriores.
- Agora você pode ver o que eu vejo, isto é o meu mundo, não há cor, mas... me sinto um pouco daltônico por que vejo cores em você... Respondeu-me como se eu fosse uma visitante inesperada e continuou:
-"Aqui, somos almas viventes, eu não estou diferente do que sou, apenas pode me ver como sou realmente, almas não envelhecem, assim como eu posso ver como você é realmente".
É um fato interessante, pois nunca parei para pensar em minha aparência nos sonhos, e percebi que aquele sonho não pertencia a mim, eu estava sonhando o que ele sonhava em seu universo. Então ele apontou em direção as chaves dizendo:
- "Escolha qualquer uma delas, em qualquer lugar a linguagem da alma é universal, e chegará o dia que você vai entender o propósito".
 Era como se as chaves dançassem no ar ao som da melodia mais bela, e ao escolher minha favorita eu disse:
-"O dia que eu entender, não nos reconhecermos mais". e como o vento, desaparecemos igual um fantasma daquele mundo sem cor.
Talvez exista um universo paralelo de pessoas reais, mundos aos quais os fatos históricos não foram necessariamente idênticos aos do nosso mundo, em algum ponto exista alguém chamado Sam, cuja a vida poderia ser vivida por alguns de meus sonhos ou mesmo o inverso. Eu sabia que mesmo sendo de Mundos diferentes estávamos conectados por algum propósito. E entre 12% da população mundial lá poderia estar ele, com a respostas dos meus sonhos.


31 de out. de 2019

Minha vida em outra vida



Em toda a minha vida, minhas noites de sono sempre foram envoltas por muitos sonhos, às vezes com lugares recorrentes que nunca visitei antes ou que sequer ouvi falar, outras vezes com eventos que ainda não aconteceram, mas que poderiam acontecer no futuro, alguns sonhos consigo lembrar com perfeição outros apenas alguns fragmentos. 
Em uma certa noite sonhei com algo intrigante que me fez refletir sobre alguns mistérios do universo devido a riqueza de seus detalhes e sensações que não percebera em sonhos anteriores.
Era inverno e lembro-me de deitarmos cedo para dormir porque estava muito frio, acredito que tenha adormecido logo, mas a sensação era que havia passado alguns segundos desde que fechei os olhos, e um brilho muito intenso me despertou repentinamente. 
Ainda meio sonolenta, notei que era uma manhã ensolarada de verão, e recobrando a consciência notei que estava em um quarto completamente diferente do qual havia adormecido. 
Minha mente meio confusa talvez não tenha percebido que poderia ser um sonho, nada era igual ao mundo que conhecia antes de adormecer, móveis diferentes, outras roupas de cama, cortinas, até o pijama que eu vestia não era igual, e senti um certo desespero por não lembrar como cheguei até aquele quarto. Vagarosamente e abri a porta e caminhei até a uma sala me deparando com um homem que disse: 
 - Então ela acordou, Seja bem-vinda de volta...  oferecendo um copo de de uma estranha bebida, e junto a ele havia uma menina que correu até mim e recepcionou-me com um abraço dizendo estava sentindo minha falta.
 Então respondi um pouco sem graça... - Me desculpe, eu não bebo, e... acho que não me lembro de vocês, eu não sou daqui eu não sei como cheguei até aqui.... naquele momento eles me olharam como se eu estivesse maluca, porém eu sentia minha mente como um espelho, onde eu pudesse ver a minha família dormindo em um mundo real, mas estava meio confusa em pensamentos rabiscados, eu estava presa entre dois espaço.
 Então sorrindo, continuou a beber, dizendo: - Eu sei que você sente falta do outro mundo, mas foi muito difícil encontra-la e trazê-la de volta, não tenha medo, eu só quero ajuda-la. Veja bem, a casa eu deixei igual, da forma que você gosta, pois sei que em qualquer lugar você sempre será você... 
E senti algo estranho, era como se ele estivesse vendo através de mim, pensei que estava sem memória. Um sentimento de que tudo era real transpassava por mim. 
Apesar de ainda não processar as informações corretamente de tudo que estava acontecendo, comecei a caminhar por aquela sala, sentindo uma certa melancolia, talvez minhas lembranças sobre aquele local estivesse voltando, vi quadros, móveis, brinquedos de uma vida que não pertenciam a mim, nada tão nítido, mas familiar, e por um instante era como se eu pertencerá aquele mundo e ao mesmo tempo não, senti uma certa alegria em ver aquela garotinha esperta que sempre estava próxima empolgada em mostrar-me cada detalhe da casa. 
Ao olhar novamente para aquele homem que me observava enquanto eu observa, o reconheci, era Sam Tyler. Então comecei a raciocinar com mais nitidez e aliviada, agora tinha certeza que era um sonho, e meu interior começou a tranquilizar-se, sabendo que minha mente havia criado a continuação de algum filme, que provavelmente havia me impactado em relação aquele ator. Precisava acordar a qualquer modo, antes que tudo se transforma-se em um pesadelo.
Aquela doce garotinha ruiva irreconhecível para mim, segurou minha mão e me conduziu em direção a um quarto e pude sentir o toque de sua mãozinha, e por mais uma vez com a mente confusa, senti que era tudo tão real quanto eu, pelos sentindo, havia vida em tudo. 
E ela me mostrou um closet com as roupas que ela dizia a me pertencer, eram lindos vestidos que jamais vi antes e ela falava comigo com tanto encanto, que comecei a sentir uma afeição por aquela garota. 
Sam pediu para menina fosse para o seu quarto, e disse que precisava mostrar-me algo. Senti meu coração disparar, estava com medo de ficar presa aquele sonho. E em meio a um corredor que não havia percebido até então, Sam pediu para senta-me em uma cadeira de laca branca e olhar para o final do corredor, e assim o fiz, e lá havia um espelho, um portal de volta a realidade, e ele, pressionando meus ombros meus ombros, aproximou -se vagarosamente e sussurrou em meu ouvido: 
 - Você pensa demais, precisa descansar a mente, desliga agora...e de maneira hipnótica, senti minha mente desligar e tudo ficou vazio como um apagar de memória, então ao voltar daquele transe, ele continuou á dizer baixinho : -Eu posso sentir seu medo, porque sei que não pertence a este mundo,  mas agora você irá voltar, um dia você entendera o porque esteve aqui, quando estiver pronta procure o espelho e me encontraráagora vá... assoprando-me com o vento, acordei como se houvesse caído de uma nuvem e uma sensação que alguém havia pressionado meus ombros. 
Agora acordada e atordoada sobre tudo que vi naquele sonho, fiz questão de anotar cada detalhe que havia lembrado, o que aquele sonho queria dizer?
Decidi ir em busca de respostas, talvez fosse necessário atravessar os espelhos para encontrar, e embarquei numa viajem sem volta, o despertar da consciência...